Este artigo do Público (dezembro de 2023) relata a decisão do SICAD (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências) de avaliar de forma sistemática o potencial terapêutico de substâncias psicadélicas em Portugal. Até agora classificadas apenas como drogas ilícitas, estas substâncias começam a ser analisadas também pelo seu possível valor clínico no tratamento de doenças como a depressão resistente, a perturbação de stress pós-traumático e as dependências. A notícia sublinha que este movimento acompanha a tendência internacional, em que países como a Austrália, o Canadá ou os Estados Unidos já deram passos concretos para integrar psicadélicos em contextos médicos. Em Portugal, a decisão do SICAD representa um marco importante: pela primeira vez, uma entidade oficial ligada ao Ministério da Saúde assume a necessidade de avaliar não só os riscos, mas também os potenciais benefícios destas substâncias. O artigo mostra ainda o debate que se abre entre a prudência regulatória e a urgência de acompanhar os avanços científicos. Por um lado, há cautela devido aos riscos conhecidos e às incertezas quanto à segurança a longo prazo; por outro, a evidência crescente aponta para benefícios relevantes em condições psiquiátricas graves e de difícil tratamento. Em suma, trata-se de uma notícia que ilustra bem o início de uma mudança de paradigma em Portugal: os psicadélicos começam a ser vistos não apenas como substâncias de abuso, mas também como potenciais ferramentas terapêuticas que merecem ser estudadas com rigor e enquadradas de forma responsável.
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