Substâncias Psicadélicasem Investigação
A psilocibina, a MDMA, o LSD, a DMT e a ayahuasca, e os anestésicos dissociativos com propriedades psicadélicas são as substâncias mais estudadas em terapia com psicadélicos. Para cada uma: o que é, o que a investigação mostra e qual o seu estatuto legal. As substâncias descritas nesta página são apresentadas com fins informativos. A KETAMED utiliza apenas medicamentos autorizados em Portugal, após avaliação individual.
Cada substância é apresentada aqui de forma breve, com uma ligação para a sua página própria, onde se descrevem a história, o mecanismo de acção, os protocolos de investigação, a segurança e o enquadramento legal. A tabela resume as principais diferenças.
Comparação das substâncias
| Substância | Classe | Alvo principal | Duração típica | Áreas mais estudadas | Estatuto na UE |
|---|---|---|---|---|---|
| Psilocibina | Psicadélico clássico | Receptor 5-HT2A | Cerca de 6 horas | Depressão, ansiedade no cancro, álcool | Não autorizada; uso restrito na Chéquia |
| MDMA | Entactogénio | Libertação de serotonina | Sessões de cerca de 8 horas | Stress pós-traumático | Não autorizada; substância controlada |
| LSD | Psicadélico clássico | Receptor 5-HT2A | Cerca de 7 a 11 horas | Ansiedade; álcool (ensaios antigos) | Não autorizado; substância controlada |
| DMT e ayahuasca | Psicadélico clássico | Receptor 5-HT2A (+ MAO-A na ayahuasca) | DMT: minutos; ayahuasca: cerca de 4 horas | Depressão | Não autorizadas; DMT controlada |
| Cetamina e escetamina | Anestésico dissociativo | Receptor NMDA (glutamato) | Até cerca de 1,5 horas | Depressão resistente | Escetamina autorizada (depressão resistente) |
Psilocibina
- Fase 3 (dados do promotor)
Psicadélico clássico do grupo das triptaminas, presente em várias espécies de cogumelos; no organismo dá origem à psilocina, que estimula o receptor 5-HT2A da serotonina [1]. O efeito de uma toma oral dura cerca de seis horas [2]. A terapia assistida por psilocibina associa a substância a acompanhamento psicológico e é estudada sobretudo na depressão resistente [3]. Em 2022, um ensaio de fase 2 sobre a psilocibina na depressão resistente mostrou redução dos sintomas face a uma dose mínima de controlo [4]; em 2025 e 2026, o promotor de uma formulação sintética anunciou resultados de fase 3 ainda sem revisão por pares [5] [6]. Na União Europeia não existe medicamento autorizado com esta substância.
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MDMA
- Fase 3 concluída; não aprovada (FDA, 2024)
A MDMA é um entactogénio que liberta sobretudo serotonina e se associa a maior abertura emocional [7]. A terapia assistida por MDMA junta poucas sessões longas com a substância a um programa de psicoterapia [8]. A MDMA no stress pós-traumático chegou a ensaios de fase 3, publicados em 2021 e 2023, com resultados melhores do que os do placebo [8] [9]. Em 2024, a FDA recusou a aprovação e pediu um novo ensaio [10]. Na União Europeia não há medicamento com MDMA autorizado [11].
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LSD
- Fase 3 (dados do promotor)
O LSD é um psicadélico clássico sintético, da família das ergolinas, que actua sobretudo como agonista parcial do receptor 5-HT2A [12]. Os seus efeitos prolongam-se por grande parte de um dia [13]. A história do LSD na psiquiatria inclui duas décadas de estudos, interrompidos por volta de 1970, e um regresso aos ensaios clínicos em 2014, na Suíça [14] [15]. Em 2025, um ensaio de fase 2b de terapia assistida por LSD na ansiedade generalizada mostrou melhoria face ao placebo após uma única dose [16]. Em 2026, o promotor comunicou resultados de fase 3 ainda por publicar, e o LSD continua sem autorização como medicamento na União Europeia [17] [18].
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DMT e ayahuasca
- Fase 2
A DMT é um psicadélico clássico; a ayahuasca é uma bebida amazónica que contém DMT e alcalóides que inibem a MAO-A. A principal diferença entre DMT e ayahuasca está na via e na duração: a DMT injectada actua minutos, a ayahuasca bebida cerca de quatro horas [19]. Ambas actuam sobretudo no receptor 5-HT2A [1]. A depressão é a área mais estudada, com um ensaio controlado com ayahuasca no Brasil em 2019 [19] e outro com DMT intravenosa no Reino Unido em 2026 [20]. Nenhuma está autorizada como medicamento.
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Anestésicos dissociativos: cetamina e escetamina
- Formulação específica autorizada na UE
A cetamina é um anestésico dissociativo, em uso clínico desde 1970, e a escetamina é a sua forma S isolada. Ao contrário dos psicadélicos clássicos, actua sobretudo bloqueando o receptor NMDA do glutamato [21]. Com a escetamina, os sintomas dissociativos resolvem-se em regra até cerca de hora e meia após a administração [22]. Na depressão resistente, um pequeno ensaio controlado descreveu em 2000 uma melhoria em poucas horas [23], e em 2023 a cetamina não foi inferior à electroconvulsivoterapia num ensaio aleatorizado [24]. A escetamina em spray nasal está autorizada na União Europeia desde 2019 para a depressão resistente, com um antidepressivo e sob supervisão [22].
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Estas secções são educativas e reúnem investigação, segurança e estatuto regulamentar. Não são recomendações de tratamento: o plano clínico de cada pessoa é definido na consulta de avaliação. Abra as referências abaixo para consultar as fontes que sustentam as afirmações clínicas e científicas.
Referências
24
- Nichols DE. Psychedelics. Pharmacol Rev. 2016;68(2):264–355. doi:10.1124/pr.115.011478 (abre num novo separador)Revisão
- Carhart-Harris RL, Bolstridge M, Rucker J, et al. Psilocybin with psychological support for treatment-resistant depression: an open-label feasibility study. Lancet Psychiatry. 2016;3(7):619–627. doi:10.1016/S2215-0366(16)30065-7 (abre num novo separador)Ensaio clínico
- Jacobs E, Zahid Z, Hinkle J, et al. Psychedelic medicine: mechanisms, evidence, and translation to practice. BMJ. 2026;392:e081723. doi:10.1136/bmj-2024-081723 (abre num novo separador)Revisão
- Goodwin GM, Aaronson ST, Alvarez O, et al. Single-dose psilocybin for a treatment-resistant episode of major depression. N Engl J Med. 2022;387:1637–1648. doi:10.1056/NEJMoa2206443 (abre num novo separador)Ensaio clínico
- Compass Pathways. Comunicado da empresa, 23 de Junho de 2025: o primeiro ensaio de fase 3 (COMP005, n = 258) da psilocibina COMP360 na depressão resistente atingiu o objectivo principal (diferença na MADRS face ao placebo à semana 6: −3,6). Dados preliminares, sem revisão por pares. ir.compasspathways.com (abre num novo separador)Comunicado do promotor, sem revisão por pares
- Compass Pathways. Comunicado da empresa, 17 de Fevereiro de 2026: o segundo ensaio de fase 3 (COMP006, n = 581) atingiu o objectivo principal (25 mg face a 1 mg, diferença na MADRS à semana 6: −3,8). Dados preliminares, sem revisão por pares. ir.compasspathways.com (abre num novo separador)Comunicado do promotor, sem revisão por pares
- Sessa B, Higbed L, Nutt D. A review of 3,4-methylenedioxymethamphetamine (MDMA)-assisted psychotherapy. Front Psychiatry. 2019;10:138. doi:10.3389/fpsyt.2019.00138 (abre num novo separador)Revisão
- Mitchell JM, Bogenschutz M, Lilienstein A, et al. MDMA-assisted therapy for severe PTSD: a randomized, double-blind, placebo-controlled phase 3 study. Nat Med. 2021;27:1025–1033. doi:10.1038/s41591-021-01336-3 (abre num novo separador)Ensaio clínico
- Mitchell JM, Ot’alora G M, van der Kolk B, et al. MDMA-assisted therapy for moderate to severe PTSD: a randomized, placebo-controlled phase 3 trial. Nat Med. 2023;29:2473–2480. doi:10.1038/s41591-023-02565-4 (abre num novo separador)Ensaio clínico
- U.S. Food and Drug Administration, Center for Drug Evaluation and Research. Complete Response Letter (carta de resposta completa), pedido 215455 (cápsulas de midomafetamina), datada de 8 de Agosto de 2024; tornada pública pela FDA em 2025 (base de dados openFDA de cartas de resposta completa). open.fda.gov (abre num novo separador)Fonte regulamentar
- Agência Europeia de Medicamentos. Dados dos medicamentos (medicamentos de uso humano avaliados e autorizados por procedimento centralizado), relatório de 9 de Outubro de 2026: não consta nenhum medicamento com MDMA (midomafetamina). ema.europa.eu (abre num novo separador)Fonte regulamentar
- Passie T, Halpern JH, Stichtenoth DO, Emrich HM, Hintzen A. The pharmacology of lysergic acid diethylamide: a review. CNS Neurosci Ther. 2008;14(4):295–314. doi:10.1111/j.1755-5949.2008.00059.x (abre num novo separador)Revisão
- Holze F, Vizeli P, Ley L, et al. Acute dose-dependent effects of lysergic acid diethylamide in a double-blind placebo-controlled study in healthy subjects. Neuropsychopharmacology. 2021;46(3):537–544. doi:10.1038/s41386-020-00883-6 (abre num novo separador)Ensaio clínico
- Nichols DE. Dark classics in chemical neuroscience: lysergic acid diethylamide (LSD). ACS Chem Neurosci. 2018;9(10):2331–2343. doi:10.1021/acschemneuro.8b00043 (abre num novo separador)Revisão
- Gasser P, Holstein D, Michel Y, et al. Safety and efficacy of lysergic acid diethylamide-assisted psychotherapy for anxiety associated with life-threatening diseases. J Nerv Ment Dis. 2014;202(7):513–520. doi:10.1097/NMD.0000000000000113 (abre num novo separador)Ensaio clínico
- Robison R, Barrow R, Conant C, et al. Single treatment with MM120 (lysergide) in generalized anxiety disorder: a randomized clinical trial. JAMA. 2025;334(15):1358–1372. doi:10.1001/jama.2025.13481 (abre num novo separador)Ensaio clínico
- Definium Therapeutics. Resultados preliminares do estudo de fase 3 Panorama com DT120 na perturbação de ansiedade generalizada, 14 de Setembro de 2026: diferença de 5,1 pontos na HAM-A face ao placebo à semana 12; a empresa comunicou também, em Junho de 2026, um estudo de fase 3 positivo (Emerge) na perturbação depressiva major (formulário 8-K da SEC, anexo 99.1). Sem revisão por pares. sec.gov (abre num novo separador)Comunicado do promotor, sem revisão por pares
- Agência Europeia de Medicamentos. Dados de medicamentos: lista dos medicamentos avaliados pela EMA (descarregada a 9 de Outubro de 2026); nenhuma entrada contém lisergida ou LSD. ema.europa.eu (abre num novo separador)Fonte regulamentar
- Palhano-Fontes F, Barreto D, Onias H, et al. Rapid antidepressant effects of the psychedelic ayahuasca in treatment-resistant depression: a randomized placebo-controlled trial. Psychol Med. 2019;49(4):655–663. doi:10.1017/S0033291718001356 (abre num novo separador)Ensaio clínico
- Erritzoe D, Barba T, Benway T, et al. A short-acting psychedelic intervention for major depressive disorder: a phase IIa randomized placebo-controlled trial. Nat Med. 2026;32:591–598. doi:10.1038/s41591-025-04154-z (abre num novo separador)Ensaio clínico
- Zanos P, Moaddel R, Morris PJ, et al. Ketamine and ketamine metabolite pharmacology: insights into therapeutic mechanisms. Pharmacol Rev. 2018;70(3):621–660. doi:10.1124/pr.117.015198 (abre num novo separador)Revisão
- Agência Europeia de Medicamentos. Relatório público europeu de avaliação (EPAR) e informação do medicamento da escetamina em spray nasal; autorização de introdução no mercado na UE desde 18 de Dezembro de 2019. ema.europa.eu (abre num novo separador)Fonte regulamentar
- Berman RM, Cappiello A, Anand A, et al. Antidepressant effects of ketamine in depressed patients. Biol Psychiatry. 2000;47(4):351–354. doi:10.1016/S0006-3223(99)00230-9 (abre num novo separador)Ensaio clínico
- Anand A, Mathew SJ, Sanacora G, et al. Ketamine versus ECT for nonpsychotic treatment-resistant major depression. N Engl J Med. 2023;388(25):2315–2325. doi:10.1056/NEJMoa2302399 (abre num novo separador)Ensaio clínico
Perguntas frequentes
Estas substâncias estão aprovadas como medicamentos em Portugal?
A psilocibina, a MDMA, o LSD e a DMT não estão autorizados como medicamentos na União Europeia. Em Portugal, só são usados em investigação autorizada. Para a psilocibina existem vias excepcionais noutros países da UE (por exemplo, na Chéquia desde 2026). Na família dos anestésicos dissociativos, uma formulação intranasal específica está autorizada na União Europeia para uma indicação na depressão resistente, sob supervisão de profissionais de saúde. A KETAMED utiliza apenas medicamentos autorizados em Portugal, após avaliação individual.
Esta página indica que tratamento vou fazer?
Não. A página é educativa. O plano e qualquer medicamento são definidos individualmente, na consulta de avaliação, dentro do enquadramento legal português.
O que significa «fase 3» num ensaio clínico?
É a fase em que um tratamento é comparado em grupos maiores de participantes, antes de um eventual pedido de autorização. Resultados positivos de fase 3 não equivalem a uma aprovação.
Conteúdo revisto pela equipa clínica da KETAMED®, sob direcção médica, a .
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